Sereno

Aprendi a gostar dos meus domingos

Neles me desprendo da correria do dia a dia

Sem compromissos, me sinto à deriva

Fico apenas tentando ler o que foi escrito nas entrelinhas

 

No domingo, eu cedo me levando,

Tomo café e um bom banho

E de cara, no chão me esparramo

Sem quase nenhum movimento

Torno meu domingo um silêncio

Nesse silêncio aprendo a decifrar,

A linguagem do soprar dos ventos

E nessa brisa as entrelinhas me dizem: só é preciso respirar

Fecho os olhos e presto atenção

No momento em que o ar enche e esvazia meu pulmão

(…)

Ê … só respirar vai muito além da razão.

 

Abro os olhos e me deparo com o céu infinito

Me perco no seu azul e apenas o admiro

Sinceramente? Viver? Não vejo nenhum sentido

Mas respeito minha ignorância

E deixo tudo nas mãos do destino.

Confio! Já que essa mão me colocou,

Em um útero que nunca me faltou amor

(…)

O infinito do céu fica pequeno, perto desse sentimento.

 

São nesses dias devagar que encontro minha paz.

E nessa rotina, ninguém percebe a essência da vida

As pessoas respiram, mas não param para respirar

Isso não é respirar é se sufocar.

 

Quase sozinho, passo o dia deitado

Sobre a luz e a sombra do sol

Sobre essa metáfora descubro que dentro de mim nunca estarei só.

Primeiros Pontos

Pontos e Abismos

 

Amarrar os pontos

Jogar-se ao abismo.

 

Pontos e abismos,

Opostos e sinônimos

Sem medida,

Ambos são infinitos

Sem respostas,

Ambos são equilíbrio.

 

Não evitar o conflito

Buscar atrito e se perder

Entre pontos e abismos.

 

O primeiro post é um saco, por que ele carrega a responsabilidade de ser o primeiro post. Assim como o primeiro beijo e as primeiras coisas que fazemos.

Bom, eu sou meio cru e virgem nesse lance de blog e de escrever, então não sei o que escrever no primeiro post: se me apresento, explico o nome da página ou tento mostrar minhas intenções e pretensões em relação a essa criação. Não sei!

Bom, não sou muito fã de apresentações, e ela é desnecessária pois, cada texto e poema que for publicado, trará um parte de mim e me apresentará mais do que essas formalidades. O nome da página e as minhas intenções ao cria-lá não vou explicar por que não estou com vontade (rs) – são coisas bem subjetivas e se eu fosse dissertar sobre elas, acabaria escrevendo muita coisa e não dizendo nada. Por isso o poeminha curto.

Então… sem apresentações e explicações. E prefiro que seja assim, prefiro o caos que as dúvidas trazem. E como o primeiro post carrega o peso de ser o primeiro, vou pegar umas palavras emprestadas do Humberto Gessinger para salvar meu post.

POEM(*)S COM NOTA DE RODAPÉ

(*uma perda de tempo ao quadrado)

Poemas seriam perda de tempo? E notas de rodapé?

Se ainda vale a matemática que me ensinaram,

dois números negativos multiplicados

resultam num número positivo.

Espero que uma perda de tempo ao quadrado

seja um ganho… de tempo.