História em poesia, sem rima

Ele pediu-a uma promessa.

Ela não fez. Não quis.

 

Ela se fingia de bêbada,

Camuflada, não queria esconder as palavras,

Para poder falar de dor e passado.

Um passado que não se sabe

Se é estreito ou largo.

E depois de sangrar o passado

Ela pediu e ele a prometeu:

– Nunca vou lhe abandonar!

Depois abraçou-a forte

Como quem diz: não se preocupe,

Com destino, futuro ou sorte

Temos um ao outro, isso é maior que a morte.

(…) Ele tinha essa mania,

De querer falar através de abraços.

 

Ainda abraçados, ele pediu-a uma promessa.

Ela não fez. Não quis.

Então, ele perguntou-a:

– Achas que mudei muito? Desde quando era aquele homem de 12 anos?

Ela não respondeu. Também não quis.

Ignorou, e disse: – Não lhe conhecia, só o olhava por vista.

Talvez se ela estivesse bêbada de verdade

Teria respondido a pergunta.

Mas não faltou álcool, faltou coragem

Ou talvez ela não soubesse mesmo

E talvez continue sem saber

Que ele havia mudado. Que ela o mudou.

O homem de 21 anos, apesar de,

Ainda ter a velha alma cinza em neblina,

Já não tinha o coração amargo,

Rancor nas costas e olhar frio

Tudo isso dissolveu-se

Quando ele fez dos cachos dela, seu ninho.

 

– Promete não desistir de mim?

Foi o pedido que ele havia feito.

Foi irrelevante o volume

Das doses de álcool, medo e coragem.

Ela não hesitou, agiu feito guilhotina

Foi fria, firme e breve

Como aquele homem de 12 anos…

Ela não prometeu. Nunca quis.

 

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5 comentários sobre “História em poesia, sem rima

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