Das conversas

Se você fosse cega,

eu coloriria sua tela.

Se você fosse surda,

faria do nosso namoro, música.

E se você fosse muda,

ah! Estaríamos casados, com filhos em fartura.

 

Se você não fosse brava.

nosso namoro não teria graça.

Se você não gostasse de Oasis,

nosso namoro seria um porre, como as leis.

E se você não fosse bruxa,

ah! Teu apelido seria: flor murcha.

 

E se você fosse até uma virginiana,

eu ainda assim te amaria, como te amo.

 

O que você fosse… eu te amaria,

mas ainda bem que você é.

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Folha de rosto

Poemas são mancos,

a poesia está no branco.

 

De tanto andar em linhas,

tropeçando em palavras

catando rimas,

ritmos e demasias,

a perna se atrofia.

Poemas são mancos

a poesia está no branco [da folha, do olho.

 

O vazio é uma eternidade.

O que é invisível está no olhar

e somente.

Somente vire a folha.

 

 

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À Rosa

 

Se às vezes forço a barra,

com alguma piada sem graça.

Se me disfarço de músico,

pra dizer que quero estar junto

ou quando pareço exagerado

ao abandonar a tripulação do barco

e navegar a cidade por uma Rosa…

 

Desculpe.

Se tento te causar espanto,

é por que eu te amo tanto.

 

Se às vezes te peço calma,

é por que estou em karma.

Se às vezes sumo,

é por medo de dizer que quero estar junto.

Se não falo do meu passado,

é por que é um barco naufragado.

E no fundo do oceano encontrei uma Rosa…

 

Desculpe…

É que, pra ser franco,

essa Rosa me causa tanto espanto.

 

Se às vezes invado teu espaço,

querendo juntar teus pedaços.

Se tento te proteger,

das gêmeas que sei que não são você

ou quando te olho sem cessar,

no oceano dos teus olhos,

querendo ir até o fundo, mesmo se for afogar…

 

Por favor,

Não faça de mim um estranho.

Faça do seu punho meu pulso.

Guarde-me as tempestades desse oceano.

Deixe que meu pulso sangre,

até a última gota de sangue

depois jogue-me no fundo do oceano.

Lá encontrei minha Rosa.

Avulso

Ando por aí avulso

por aí é um caminho.

O passo vem do pulso.

 

O pulso não pausa

o caminho é por aí

sem fim nem pautas.

 

Por mim,

entre linhas e veias

teço-me por aí.