Desses dias

Dia desses,

eu quis o nunca

depois o sempre.

Dia desses,

a gente se perde.

 

Dia desses,

quis o sempre

pra ter o nunca.

Em dia desses,

a gente quase se encontra.

 

Dia desses,

todo o vermelho

era puro sangue.

Dia desses,

a gente sangra.

 

Todos os dias

o céu sugere-me

uma conversa.

Dia desses,

olhei para cima sem relógio.

 

Dia este,

entre o sempre e nunca

a pausa foi selada.

Dia este,

essa gente deixou de ser um quase.

 

Dia desses,

são dias, só.

E esse vermelho,

em algum dia, desses,

não será mais por sangrar.

Colecionador de domingos

Tinha o que tinha,

tinha mais do que tinha.

 

Tem dias que a vida,

se desenha tão simples

e fácil de ser vivida..

 

Domingos de vó e fumaça.

Domingos de criança sem idades.

Domingos de sofá sem braços.

De casos e histórias,

de fantasias entre rachaduras,

de risos de muitas rachaduras.

Domingos de casa.

 

Quanto ao lado de fora,

a hostilidade do mundo

nunca pareceu-me tão pequena quanto hoje,

o dia que passei a colecionar domingos.