O mundo é mais bonito,

quando aquilo

que não faz sentido,

não faz sentido.

 

O que não faz sentido,

é imprescindível,

feito a sutileza da alma

nos dias de chuva.

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se o tempo deixar

Às vezes me dá vontade de andar

e nunca mais parar.

Sem destino, sair à vagar..

fazer dos lugares por onde passar,

meu lar.

Sem pressa, não quero atalhar.

Quero mais que passar, quero passear

e se o tempo deixar,

por esses lugares repassar.

 

Agora que o tempo é relativo,

do meu, me tornei amigo

e juntos, com juízo

ou em perigo,

sigo a bússola que trago no peito,

sem medo,

para descobrir meus segredos.

De cor em cor

o que nos separa

não pode ser,

o que nos deixa juntos.

 

palavra são abraços

quando a distância

é próprio assunto.

 

nos dias de semana,

que preciso de você

pra colorir meu mundo.

 

 

 

 

 

 

Susto

O tempo distrai,

o tempo todo

e destraça,

por vezes.

 

Por entres..

fins e começos

ele se disfarça,

justamente,

por não existir espaço.

Não há vão, nem espera..

não há tempo, para o tempo.

É de repente. Um susto,

aos distraídos.

 

 

 

Raio-X

O céu parece trincar-se

no instante:

quando um raio,

de traço imperfeito,

retorcido, feito

um traço por mim feito,

feito graveto, seco.

Faz…

 

Um corte seco, no céu.

Tão fugaz

que não se faz

legítimo ao olhar.

É agudo, intrínseco.

É um escapar.

Um piscar…

Um risco, na alma.

13

Semana que vem já é dezembro

dezembro vermelho de natal.

Pra mim, a data de maior dengo,

onde a pureza passa a ser natural.

 

Putz! Semana que vem já é dezembro!

Num descuido mais um ano se vai

eu nunca sei qual o tempo do tempo

e nesse meio tempo, as rugas aparecem, quando o rosto se contrai.

 

Na verdade, o tempo é abstrato.

O engraçado é que ele não volta,

mas nunca passa quando guardado

em retratos na memória.

 

Lembro dos meus tempos de pequeno

a esse tempo sim, me rendo.

Se possível, o teria vivido o mais lento

não pelo tempo, pelos momentos.

 

Naquele tempo, o natal era muito vermelho

apesar da casa velha, sem chaminé

de pé em pé, o Noel estava lá dentro

e antes d’eu abrir o olho, ele dava no pé.

 

Meu presente na árvore ele sempre deixava

nem sempre era o que eu pedia nas cartas,

mas nunca vi muita diferença entre ouro e lata

vigiar o Noel era o que me fascinava.

 

O presente só é verdadeiro e bom

quando temos o dom

de olhar e fazer do objeto

apenas o veículo do afeto.

 

Infelizmente, hoje o natal

se tornou apenas uma data comercial.

As pessoas só renascem,

para as próprias e mesmas vaidades.

 

Busco renascer, mas não do zero

pra ser sincero, talvez por intuição,

penso que nunca teremos as costas leves

cada um sempre carregará seu quinhão.

 

Apesar do quinhão ser meu,

o peso da verdade só pertence à Deus.

Conformo-me com o peso do acaso

?Vai ver o acaso é a própria verdade! (…)?

 

Ah! Mas deixa disso, quero apenas

tornar meu silêncio intenso

pra deixar minha alma serena

e não se espantar com os medos de dentro.

 

Apesar de ainda ter o bigode fino,

percebo que já não sou tão menino.

Vejo que o natal é mais que um Papai Noel

isso eu percebi, me transcrevendo no papel.

 

Mas eu ainda tenho bigode fino

e pro bom velhinho escrevi minha carta,

pedindo mais bigode e olhos de menino

para que eu não veja o mundo com tanto pessimismo e mágoa.