Ontem

Um boa noite,

às vezes

é um eu te amo.

 

Acendi uma vela

e esperei…

Por atenção.

 

Esperei,

por um boa noite

até não haver mais chama.

 

E esperei…

noites,

costumam ser frias.

 

O pavio acaba.

A vela queima.

E o frio da noite, me resgata.

Que importa?

É sufocante

correr contra a corrente

que corre nas veias.

O sangue é um selo!

Sentes orgulho?

Do soldado.

 

É amargo, o pulsar

e covarde, o destino

que me faz entorpecido.

Devoto

Quando o céu está sem nuvens

meu caminho é sem curvas

 

quando está bordado em nuvens

meu caminho é cem curvas

 

ah! É um encanto, o céu

imenso e pleno,

ao mesmo tempo.

Meu Diário Blue

Linha, traços, pedaços,

a te, me guardo.

 

Perdoe-me,

se algum dia minha lágrima,

borrar-te as páginas…

É que tenho medo, muitos.

Não se assuste… ou assuste…

Apenas abstraia-me.

 

Prometo,

esforçar uma letra bordada.

Terás uma casa sobe meu travesseiro

meus sonhos, serão tuas viagens.

Sobe a pele de meu peito, direito,

carregarei tua chave.

 

Prometo,

cuidar-te e dular-te.

 

Quando passar em branco,

é para acolher o grito que traz teu silêncio,

inverter os papeis, e ser teu manto.

 

Sinto,

que apesar de minha alma,

ser tão frágil como a material de tuas paginas,

uma vez escrito, unidos

nada rompera este vinculo.

Mais que registro, é vivo. Um.

 

Feri-me saber,

que irei borrar-te

com muitas lágrimas…

Apenas abstraia-me,

e me ame

como te amo todos os dias,

não é por acaso, Diário.

Desses dias

Dia desses,

eu quis o nunca

depois o sempre.

Dia desses,

a gente se perde.

 

Dia desses,

quis o sempre

pra ter o nunca.

Em dia desses,

a gente quase se encontra.

 

Dia desses,

todo o vermelho

era puro sangue.

Dia desses,

a gente sangra.

 

Todos os dias

o céu sugere-me

uma conversa.

Dia desses,

olhei para cima sem relógio.

 

Dia este,

entre o sempre e nunca

a pausa foi selada.

Dia este,

essa gente deixou de ser um quase.

 

Dia desses,

são dias, só.

E esse vermelho,

em algum dia, desses,

não será mais por sangrar.

Colecionador de domingos

Tinha o que tinha,

tinha mais do que tinha.

 

Tem dias que a vida,

se desenha tão simples

e fácil de ser vivida..

 

Domingos de vó e fumaça.

Domingos de criança sem idades.

Domingos de sofá sem braços.

De casos e histórias,

de fantasias entre rachaduras,

de risos de muitas rachaduras.

Domingos de casa.

 

Quanto ao lado de fora,

a hostilidade do mundo

nunca pareceu-me tão pequena quanto hoje,

o dia que passei a colecionar domingos.

Das conversas

Se você fosse cega,

eu coloriria sua tela.

Se você fosse surda,

faria do nosso namoro, música.

E se você fosse muda,

ah! Estaríamos casados, com filhos em fartura.

 

Se você não fosse brava.

nosso namoro não teria graça.

Se você não gostasse de Oasis,

nosso namoro seria um porre, como as leis.

E se você não fosse bruxa,

ah! Teu apelido seria: flor murcha.

 

E se você fosse até uma virginiana,

eu ainda assim te amaria, como te amo.

 

O que você fosse… eu te amaria,

mas ainda bem que você é.